quarta-feira, 3 de novembro de 2010
soldado
é tempo de guerra
e de acontecimentos adversos.
as ruas estão caóticas,
as pessoas em constante alvoroço,
com exigências de uma vida normal.
no meio de todo o alarido,
existe um moço
apático ao que o rodeia.
só.
sozinho mas nunca solitário,
era o lema deste soldado,
escondido por entre escombros
com medo de qualquer coisa
que no fundo não passa de aragem rasteira.
de arritmia e de reles caganeira.
a determinado momento
o esfumaçado de cinzas e poeira
deixou de aparecer ao raiar do sia,
deixando passar a luz da calmaria
por entre o betão desmanchado.
agora sim,
o soldado pode levantar-se
e limpar os despojos de guerra
e finalmente deixar cair a máscara.
pois, apesar de todo o teatro
nada era óbvio,
mas sim, claramente subentendido.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
sem título
Por mais que o tempo passe,
O estômago não deixa de apertar,
Atormentando e atrofiando
Todos os músculos fétidos
Que vibram com a esguia aragem.
Apesar de tudo,
Continuam cúmplices
Estes sentimentos esquecidos
Debaixo do tapete,
Como quem esconde
O pó negro doutros tempos
Na esperança de ninguém
notar a diferença.
domingo, 17 de outubro de 2010
é, não é?
por mais que esta rua se tece
por cantos e recantos
é quase certo
que de uma forma ou doutra
ela acabe por se desfazer numa praça.
nesta praça,
concretamente ou geralmente
acontecem coisas que nunca se passaram.
tudo não é mais que pura ilusão ou devaneio.
o que é granito ao toque,
converte-se em brancas orquideas vietenamitas,
o que é cal a vista,
não passa de madeira queimada fumegante.
nada é real.
o real, simplesmente não o é.
tudo depende da vontade própria,
tornando qualquer rio, em delta,
a base de uma pirâmide, em cume.
a chave da questão
está na falta de sentido do sentido,
tranformando tudo o que parece mais rico e vistoso
em pobre e morto,
sem se recorrer a paradoxos ou antíteses.
o que é, não é.
o que não é, é-o demasiado.
sábado, 16 de outubro de 2010
não consigo dizer nada
não consigo dizer nada.
não consigo escrever nada.
o receio e a imparcialidade são tão grandes
que o meu castigo é a penuria do silêncio.
se eu tivesse juizo
seria tudo bem mais facil.
se eu tivesse juizo
não haveria adrenalina.
a verdade,
é que isto doi que farta
e não é qualquer machado
que corta estas raízes.
não consigo escrever nada.
o receio e a imparcialidade são tão grandes
que o meu castigo é a penuria do silêncio.
se eu tivesse juizo
seria tudo bem mais facil.
se eu tivesse juizo
não haveria adrenalina.
a verdade,
é que isto doi que farta
e não é qualquer machado
que corta estas raízes.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
sobre o apocalipse
quando a mente
não se move.
quando o corpo
não pensa.
quando o sol
só sai à noite
e a lua
se mostra de dia.
quando as lampadas
aparecem penduradas no chão
e o mobiliario poisado no tecto.
quando tudo isto acontecer,
tudo o que é
deixará de o ser.
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